sábado, 21 de maio de 2011

Carpe Diem!

É engraçado quando se sente feliz sem motivo algum. Tudo te faz feliz. Se faz sol, contempla-se o astro-rei, a magnânima beleza de suas luzes e cores, os olhos brilham. Se chove, canta-se na chuva, dança-se na rua, se sorri a todos, os olhos também brilham. Tudo é motivo de alegria. Encara-se a vida como algo belo, maravilhoso. Somem-se os problemas, todos eles. Quer-se cantar, assobiar, rir de si mesmo, andar saltitando. Se é dia, olha-se ao céu, com ou sem nuvens. Se se está feliz, mesmo nublado, vai-lhe o céu parecer bonito. Se é noite, olha-se as estrelas. Caso haja nuvens, vê se as luzes da cidade, as próprias nuvens, que são bonitas, o mundo é belo. Louco é quem me diz, que não é feliz. Carpe Diem!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Para pensar. . .

Existe morte após a vida?
Existe vida após a morte?

Engano

-Ah, mais uma coisa que eu tinha esquecido. Traz também aquele seu caderno de desenhos que eles vão adorar.
-Perdão?
-Aquele caderno de desenhos. Uma cadernetinha que você fica rabiscando. Seus desenhos são uma graça.
-Como assim?
-Bri, aquele caderno que você não larga nunca, sabe? Traz ele.
-Não, isso eu entendi, mas quem está falando?
-Dona Bri, não se faça de desentendida que você sabe quem é. Eu só liguei de novo pra falar do caderno.
-Olha, sinto lhe dizer, mas acho que você ligou para o número errado.
-Quê?
-Você queria falar com uma Bri, não? Não tem ninguém com esse nome aqui, desculpe.
-Quê? Como assim? Eu ligo para esse número há anos, não é da casa da Bri? Sabrina Fernandes, ninguém com esse nome mora aí?
-Não.
-Ah, não, não é possível. Eu estava falando com a Bri há cinco minutos atrás, daí eu desliguei. Só que eu tinha esquecido de falar sobre o caderno, então liguei de novo para o mesmo número. Tem certeza de que não é da casa da Bri?
-Como assim ''tem certeza''? Claro que eu tenho certeza. Eu moro sozinha com esse número de telefone há pelo menos dois anos. Nenhuma Sabrina mora aqui.
-Calma. Pra que número eu liguei?
-2445-9838.
-Ah, certo o número da Bri é 2455-9838. Entendi. Disquei errado, opa, foi mal.
-Hehe.
-Me diz uma coisa, sua voz parece a de uma pessoa legal, qual é o seu nome?
-!?... Ahnn... Meu nome é Gabriela.
-De que?
-Gabriela dos Anjos.
-Que nome lindo. O meu é Bruna Rodrigues, tenho 22 anos. Prazer.
-Prazer, Bruna. Tenho 25.
-Escuta, Gabriela, só por curiosidade, onde você mora?
-Rua 19 de Abril, virando à esquerda na Marques Dias.
-Uau, sério? Fica a uma quadra de onde eu moro. Moro na Gonçalves Pereira.
-Ah, é perto mesmo. Agora, uma pergunta. O que você queria com o caderno da Bri? Agora fiquei curiosa.
-Ah, é que estávamos combinando de sair com uma galera no final de semana. São uns amigos meus que a Bri não conhece. Eles todos desenham muito bem, achei que fossem se dar bem com ela. Os desenhos da Bri são fantásticos.
-Nossa, que coencidência. Eu trabalho com design e desenho bem(eu acho). Também tenho um caderno pra fazer uns rabiscos que não largo nunca.
-Gabriela, me diz uma coisa...
-Me chama de Gabi, não gosto de Gabriela, muito formal.
-Ok. Gabi, você não queria sair com a gente? Podemos nos encontrar na sua casa que eu levo a Bri e o pessoal pra te conhecer.
-Seria ótimo. Que dia?
-Na sexta, essa próxima, às duas e meia, mais ou menos, estávamos indo a um cinema de rua que reabriu semana passada depois de uma reforma.
-O Ludvig?
-Esse.
-Nossa, eu ia lá direto, tem uns filmes muito bons.
-Eu também, como foi que a gente não se encontrou ainda?
-Não sei.
-Sexta então, às duas e meia?
-Exato.
-Qualquer coisa, Bruna, já tem o meu número.
-Haha, Ok. Você tem o meu, né, Gabi? Seu telefone grava números?
-Grava sim.
-Então beijo, até sexta.
-Até.
(chick...tu...tu...tu)
(trrrrriiim...trrrrrriim...trrrrriim)
-Alô?
-Ah, Bruna, eu esqueci, tenho compromisso na sexta até as três. Tem como ser um pouco mais tarde?
-Desculpa?
-Tem como a gente combinar um pouco mais tarde? Eu tenho aula na sexta até as três. Podemos combinar o cinema um pouco mais tarde?
-Olha, me desculpa, mas não tem nenhuma Bruna aqui. Eu acho que você ligou para o número errado...

quarta-feira, 23 de março de 2011

-Sem Título-

O doce cheiro dele a invade. Ela não pensava em mais nada. Em nada mais acreditava, nada mais via. Só via ele, chamando. Inútil seria qualquer tentativa de acordá-la das nuvens. Só via ele.
Quando efetivamente se viram, ambos coraram, havia muita gente falando em volta. Ela tinha vergonha de falar. Cada gesto, cada palavra, tinha significado, lembrava uma história, uma piada dos dois, qualquer coisa que fosse. Tudo tinha significado. O doce cheiro dele, que agora está perto, a invade novamente. Por que tanta gente em volta? Por que só não os dois? No dia anterior, roubara-lhe um beijo (ou dois, ou três...). Pensava ela: Aconteceu mesmo? Não fora imaginação? Só pode ser fantaisa. Será? Ela queria que não. Se bem que encontrava-se tão cega que já nem sabia mais distinguir o que realmete acontecera do que ela queria que tivesse acontecido. Queria eternamente estar em seus braços. Receber seus acalentos e beijos. Seria verdade? Seria mesmo? Não, não podia. Era bom demais. Aulas, aulas, aulas. Por que não consegue prestar atenção? Por que só consegue pensar em seu doce cheiro, que a invade? Em seus olhos azuis, que chamam?

sábado, 12 de março de 2011

Manhã de sábado

Naquela manhã, o vento brincava. Andava por aí, bagunçava cabelos, cantava, dançava. Entrava o vento nas casas com janelas abertas, tocava todos os sinos, fazia farfalhar as folhas das árvores. Brincava o vento. Naquela manhã, era cedo, o sol parecia ter acordado de bom-humor. Espreguiçava-se da melhor maneira que podia, provocando um ''amanhecer dramático'', cheio de luzes e cores, cheio de alegria. Numa pequena janelinha em que o vento, brincando, entrara, uma menina jovem acordava. Não era costume, mas naquela manhã, acordava antes dos pais. Ouvia Peer Gynt¹ da maneira mais doce e linda. Balançava a cabeça suavemente ao sabor da música, quase que própria para a ocasião. Fechava os olhos para ouvir melhor. Abria-os novamente, contemplava o amanhecer. Que dia bonito. O vento entra brincando novamente, passa por um pequeno beija-flor de madeira pendurado em sininhos sobre a janela da menina, anunciando que estava lá o vento, brincando. Alguns fechavam as janelas, não a menina. O vento passara para brisa. Que mexia agora delicadamente nos cabelos ruivos dela. Seu rosto, com muitas sardinhas e olhos verdes, fechava-os novamente, para ouvir a música e deixar que a brisa mexesse em seus cabelos encaracolados. Contemplava aquela linda manhã de sábado. Que, tão inexplicavelmente, tão insignificantemente, era maravilhosa, linda, leve, alegre para todos. Naquela manhã, o vento brincava. O vento brincava.

1. Peer Gynt - Obra do compositor lírico Edvard Grieg, aqui segue a parte principal da música, para os que quiserem ouvir.
Beijos

sexta-feira, 11 de março de 2011

Carnaval Veneziano

O Carnaval de Veneza, bem como o do Brasil, é mundialmente conhecido. Apesar de tal, também é muito diferente. Em Veneza ninguém samba no Carnaval, ninguém ouve marchinhas, nem segue blocos. Os venezianos, no Carnaval, usam majestosas máscaras diferentes das nossas, com detalhes dourados, plumas, entre outros enfeites, muitas vezes com estampas de partituras e notas musicais. Possuem eles, um ritual de dança, que inclui roupas específicas para a ocasião, imensas fantasias com vários tipos de panos, detalhes, etc. Como sei disso? Sei disso porque sou um gato. Um gato veneziano que adora assistir ao Carnaval. Já me falaram muito do Carnaval brasileiro, deve ser lindo.Um dia ainda vou para lá. Acho que é uma das únicas épocas do ano em que as pessoas sorriem, dançam, esquecem suas diferenças e preconceitos, e tudo o mais. Enfim, nós, gatos, também festejamos o Carnaval aqui em Veneza. É muito divertido: pescamos alguns peixes no canal e os preparamos de um jeito ótimo. É esse o nosso ''banquete'' de Carnaval. Também daçamos muito como os humanos. Chegada a noite, cantamos para a lua, e, por fim, vemos os humanos desfilarem. Pena que dure tão pouco o feriado de Carnaval. Fora o Natal, acho que é raro as pessoas se ajudarem, serem solidárias umas com as outras, se protegerem e sorrirem e festejarem e dançarem sem motivo. Assim sendo, acho que poderia ser Carnaval o ano inteiro. Não pelas festas, mas pelos sentimentos.
Feliz Carnaval!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Para ser Grande - Fernando Pessoa

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

De:Jorge Para:Aline

Aline, querida ex-aluna.
Me lembro muito bem de você. Da sua personalidade e do seu jeito engraçado, embora não do seu rosto. Você se mudou para o Rio? Achei que fosse para São Paulo. Bom, devo ter confundido. O que ando lendo? Olha, são tantos os livros acadêmicos que tenho que ler para o trabalho que acho que quase não sobra tempo para os contos e crônicas. Quanto a eles, partilho de sua opinião. Há alguns realmente muito bons, embora eu não os escreva como você. Mas um livro realmente bom que eu estou lendo e recomendo, é "Intermitência da morte" do Saramago. Muito bom. Outro dele muito bom também é "Ensaio sobre a cegueira", mas este é um pouco angustiante e até assustador, acho melhor você deixá-lo para mais tarde. "Guerra e Paz" do Leo Tolstoy é também um livro fantástico. Mas também acho que deve ler mais um pouco antes de chegar neste. Quanto à preocupação do e-mail, sim, sou eu o Jorge, porfessor de Alemão e Prtuguês do Sinodal. Por aqui vai tudo bem, monótono, mas bem. Muito bom te reencontrar, Aline. Eu nunca fui ao Rio, mas quando for, procurarei fazer-te uma pequena visita.
Abraços
o grande professor Jorge.